quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Como eu comecei a gostar de Pearl Jam - ou somente do Eddie Vedder


Na década de 1990, eu não era fã de Pearl Jam. Tinha uma amiga que amava e, toda vez que o pai saía de casa, ela colocava os discos dele no último volume e ficava cantando a plenos pulmões. Foi assim que eu conheci 'Alive', 'Jeremy', 'Black' e todas essas músicas de sempre, mas confesso que nunca dei muita bola.

Na metade da década de 2000, meu namorado (hoje marido) entrou em uma banda cover deles para tocar baixo, sem gostar ou conhecer, assim como eu. A partir dali, eu comecei a ter uma verdadeira overdose de Pearl Jam, pois passei a acompanhar a banda na maioria dos shows. Mas eu adorava falar mal. Achava as músicas parecidas demais, outras beeem chatas (nunca gostei de 'Crazy Mary') e tomei gosto por uma ou outra, como 'Go', 'Porch' e 'State Of Love And Trust'.

Mas aí aconteceu uma coisa verdadeiramente inesperada - o disco/filme/adaptação/livro/história do "Into The Wild". Bem no momento em que eu estava passando por tudo aquilo, de extrema necessidade de contato com a natureza, fazendo trilhas, acampando, enfim. Achei a trilha sonora a coisa mais bem feita dos últimos tempos e, a partir dali, eu resolvi dar uma chance ao Pearl Jam, percebendo que, na verdade, eu gostava bastante do Eddie mesmo. Uma pessoa para escrever aquelas letras precisa saber muito bem do que está falando, e ele estava.

Então assisti o PJ20, que é um documentário incrível. Ver aquele Eddie Vedder insano, jovem (o show do Pinkpop em 1992 é inacreditável), a misantropia, a filosofia de vida, enfim... conhecer mais a fundo esse cara que até então eu acreditava ter admiradores(AS) só por ser cabeludo/roqueiro/alternativo me fez gostar dele de verdade. Resolvi ouvir novamente todos os discos do Pearl Jam com esse "novo olhar", e de repente toda a unidade (que antes eu chamava de mesmice) fez sentido. A coisa toda contra a Ticketmaster e a vontade de nunca repetir um repertório são bem bacanas. E eu virei fã da banda. Simples assim.

No mais, meu disco preferido ainda é o "Ten" e nenhuma música do Pearl Jam se compara à profundidade do "Into The Wild", mas é uma boa banda mesmo assim. Merece ser o que é. O documentário mostra muito o peso que ser famoso com música tem - do suicídio do Kurt às pessoas que morreram pisoteadas em um show deles em 2005. Pra ser músico tem que tocar o f*-se geral e simplesmente aceitar que você não fará mais nada da vida além disso. Eu tomei o caminho contrário há alguns anos e me arrependo um pouco, então uma banda que tenha mais de 20 anos de estrada tem todo o meu respeito.

It's a nice band after all.

sometimes life don't leave you alone
hold me and make it the truth
that when all is lost there will be you
cuz to the universe, i don't mean a thing

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