sexta-feira, 21 de outubro de 2011
"High Flying Birds", Noel Gallagher (2011)
Quando o Liam lançou seu "Different Gear, Still Speeding" com o Beady Eye, meu primeiro comentário foi: "me avisem quando sair o disco solo do Noel". E aqui está ele, dois anos depois.
É chato, muito chato, comparar Oasis a Beatles. Só que é impossível fugir da comparação que farei entre Noel/Liam e Paul/John. Quem gosta de Beatles já cansou de ouvir como "John era o cara de frente, e Paul era o cara que fazia a coisa de verdade". Concordando ou não no caso dos Beatles, isso é mais ou menos aplicável ao Noel e ao Liam. E todo mundo sabia disso também.
Assim, quando o Noel colocou no ar seu site oficial e anunciou que lançaria seu tão aguardado disco solo em outubro, parece que o meu mundo voltou a 1996, quando ouvi 'Don't Look Back In Anger' pela primeira vez. Pela primeira vez em muitos anos, eu estava ansiosa pelo lançamento de um novo álbum. Nem os últimos discos do Oasis tinham causado essa sensação.
Noel sempre foi uma grande inspiração para mim, talvez equiparado a Paul, John e George. Mesmo. Muito do que eu compus quando era adolescente foi baseado nas suas canções, e quando encontro alguns cadernos antigos com letras eu me vejo deitada no quarto escuro ouvindo o "Definitely Maybe" pela enésima vez de forma tão viva em minha memória como se tivesse acontecido na semana passada. Noel fez parte do meu "período essencial", aquele entre a adolescência e a fase adulta, quando achamos que sabemos tudo e queremos mudar o mundo com uma guitarra na mão. Então sua importância em minha formação musical é inegável, parte do que eu sou mesmo, e influencia cada vez que eu sento ao piano ou com o violão no colo para compôr qualquer canção. Por esse motivo, aguardar o lançamento do seu disco solo foi quase que uma meditação silenciosa que eu fiz desde o fim do Oasis, sabendo que ele viria. E veio.
Com o passar do tempo, as músicas começaram a vazar. A primeira que eu ouvi foi 'The Death Of You And Me', e a pegada 'The Importance Of Being Idle' com uma linhazinha de 'Mr. Kite' já me fez prender a respiração. Fiquei ansiosa pelo restante do disco, que foi saindo nas semanas seguintes.
'Everybody's On The Run', bobagem ou não, ficaria muito boa na voz do Liam, mas de cara dá para entender como Noel apresenta o que seria um Oasis mais maduro que já dava para perceber em outras músicas da banda que ele cantava. Dá para saber que o disco todo vai ser assim, com a carinha dele. E era isso mesmo o que a gente queria. A gente sabia que não iam rolar guitarras sujas e vocal rasgado. Noel é melódico. É 'Sunday Morning Call'. 'Some Might Say'. 'The Masterplan'. E é isso o que ele mostra em High Flying Birds.
'Dream On' começa com seu violão e a batida na bateria que lhe são tão peculiares. "She doesn't matter at all" e o vocal característico de Noel estão ali, cumprindo o prometido. 'If I Had a Gun' é puramente Oasis. '(I Wanna Live in a Dream in My) Record Machine' era, originalmente, uma música para a ex-banda. Acabou sobrando, ficando para depois, e lançada agora. Abaixo, um vídeo com uma demo dela e imagens que vão deixar nostálgico até o fã mais blasé.
'Soldier Boys And Jesus Freaks' traz as velhas cornetinhas que Noel adora. 'AKA... Broken Arrow' mostra um bongô inusitado e uma melodia facilmente esquecível mas, como todas, com a tradicional estrofezinha do meio. É a escola Paul McCartney de compôr que caracteriza tanto as músicas do Noel. '(Stranded On) The Wrong Beach' segue a mesma linha e poderia facilmente ser tocada no piano por um compositor comum, mas Noel a fez com perfume urbano peculiar. 'Stop The Clocks' fecha o disco com a lembrança de uma época que pode não voltar mais, mas está aí para ser lembrada por todos os fãs de Oasis ou, na verdade, de Noel. O violão, o teclado, os backings. Já acabou? Infelizmente sim, mas com a mesma tradição de sempre, finalizando o disco com a baladinha que vai crescendo e deixando um ar de sonho esquecido lá atrás, em 1997, talvez.
O que mais me deixou contente com esse disco é que parece Oasis, o que confirma o indicativo que todos desconfiavam sobre a banda. E não desmerecendo o Liam, mas o Noel é o Noel. E tem outra maneira de fazer música que nem a que você vem fazendo há mais de 15 anos? O nome disso, meus caros, é essência.
"High Flying Birds", Noel Gallagher (2011)
'Everybody's On The Run'
'Dream On'
'If I Had a Gun'
'The Death Of You And Me'
'(I Wanna Live in a Dream in My) Record Machine'
'AKA... What a Life!'
'Soldier Boys And Jesus Freaks'
'AKA... Broken Arrow'
'(Stranded On) The Wrong Beach'
'Stop The Clocks'
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